Pendurar, iluminar e conservar uma pintura a óleo

Um óleo sobre tela sobrevive a quem o compra, desde que três coisas estejam certas: onde está pendurado, que luz lhe chega, e o que se faz - e sobretudo não se faz - quando é preciso limpá-lo.

Pendurar, iluminar e conservar uma pintura a óleo

01Onde não o pendurar

Três sítios encurtam a vida de um óleo mais do que tudo o resto, e os três podem evitar-se.

  • Uma casa de banho. A humidade contínua afrouxa a tela e com o tempo levanta a tinta. Não há versão desta história que acabe bem.
  • Mesmo por cima de um radiador, de uma lareira ou de uma fonte de calor. O ar que sobe é seco e constante, e a tela responde-lhe movendo-se.
  • Ao sol direto. O ultravioleta desbota os pigmentos de forma permanente, e nenhum restauro os traz de volta.

Uma parede interior, fora do sol, numa divisão cuja temperatura e humidade se mantenham mais ou menos estáveis: é tudo o que um quadro pede.

02Ilumine-o de forma indireta

Aponte a luz à parede em vez da tela, de um lado e de cima. Um quadro iluminado de frente perde justamente o relevo que faz dele pintura, e uma passagem brilhante devolve o feixe aos olhos de quem olha.

Prefira o LED. Quase não emite ultravioleta e emite muito pouco calor, que é exatamente o que uma tela precisa. Os focos de halogéneo a curta distância são o contrário nos dois pontos.

03As primeiras semanas

Um óleo acabado de pintar continua a secar muito depois de sair do atelier; seco ao toque não é seco por dentro. Nas primeiras semanas, mantenha-o fora de espaços fechados e apertados, não encoste nada à superfície, e não o guarde face contra face com outra tela.

Um leve cheiro a óleo e solvente numa divisão fechada é normal no início e desaparece sozinho.

04A limpeza, e o que nunca usar

Tire-lhe o pó duas ou três vezes por ano com um pincel limpo, seco e macio, de cima para baixo, roçando a superfície o mais levemente possível. É toda a manutenção.

Nunca use água, sabão, álcool, aguarrás, produtos de limpeza domésticos nem um pano húmido. Os solventes dissolvem tinta e verniz, e um pano prende-se na pincelada em relevo e arranca-a. Nada do que tem debaixo do lava-loiça é seguro sobre um óleo. Tudo o que passe do pó - uma mancha, uma marca, um verniz amarelecido - é trabalho de restaurador, e nada disso é urgente ao ponto de justificar improvisar.

05Transportar e guardar

Leve uma tela esticada pelas travessas da grade, nunca só pelo bordo superior e nunca com a mão espalmada contra as costas do tecido.

Se for preciso guardar um quadro, ponha-o de pé, com a face voltada para fora, com um separador entre ele e o que vier a seguir, numa divisão nem húmida nem quente. Uma tela enrolada enrola-se com a tinta para fora à volta de um tubo largo, nunca com a tinta para dentro: enrolada para dentro a tinta comprime-se e estala.

06Se algo correr mal

Um dano no transporte é raro e resolve-se logo: fotografe a embalagem e o quadro, e envie ambos no prazo de 30 dias após a entrega. O mesmo vale para um defeito claro de execução ou para um quadro que não corresponde à encomenda. A política de substituição indica exatamente o que é preciso, e a página de contacto é o caminho.

Para um dano que aconteça anos depois, em sua casa, um restaurador local é a resposta certa, muito mais do que um envio para o outro lado do mundo.

Bom saber

As perguntas que nos fazem

Uma pintura a óleo precisa de verniz?

Não da sua parte. O envernizamento faz-se quando a tinta está seca por dentro, e é trabalho de restaurador ou de pintor. Um quadro sem verniz mantido fora do sol e da humidade não corre risco nenhum.

Pode pendurar-se um quadro numa divisão com ar condicionado?

Sim, e uma divisão climatizada estável é melhor para uma tela do que uma instável. O que importa é que a temperatura e a humidade não deem saltos bruscos; convém evitar uma grelha a soprar diretamente sobre a tela.

O meu quadro chegou enrolado. Quanto tempo pode ficar no tubo?

Desenrole-o dentro de algumas semanas em vez de o deixar meses, e mande-o esticar por um moldureiro como explica o guia da entrega. Enrolada muito tempo, uma tela guarda a curva.

Como sei se uma marca é sujidade ou dano?

Se um pincel seco e leve não a levanta, trate-a como dano e pare. Esfregar uma marca num óleo transforma um problema pequeno num permanente mais depressa do que quase tudo o resto.

Fora do sol, longe do radiador, limpo do pó com um pincel seco e de resto deixado em paz: é assim que um quadro continua pendurado daqui a um século.